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The Doors

Jim Morrison foi um dos rebeldes do Rock e talvez tenha sido inevitável – também um dos seus mártires. Intérprete atraente, em três anos tornou-se num alcoôlatra gorducho. Foi preso em duas ocasiões, incitava frequentemente as plateias à revolução e, ao final da carreira muitas vezes interrompia as suas apresentações no meio das canções. Mas quando no seu apogeu foi um extraordinário cantor e compositor. Apesar dos outros membros do grupo serem excelentes músicos, Jim Morrison era a essência dos The Doors.

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Da esquerda para a direita: John Densmore, Robbie Krieger, Ray Manzarek e Jim Morrison.

James Douglas Morrison nasceu em Dezembro de 1943, na Florida, de uma família de militares. Quando estudava cinema na universidade de Los Angeles conheceu Ray Manzarek. Manzarek e Jim encontraram-se ao acaso na praia de Venice onde Morrison disse a Manzarek que estava a viver no telhado de um amigo e escrevia poemas e canções. Manzarek que já era músico amador, pediu a Jim Morrison que lhe cantasse uma. Morrison hesitou, mas após ouvir a qualidade da letra Moonlight Drive (que viria a ser um sucesso conhecido mundialmente) Manzarek decidiu combinar a poesia de Jim Morrison com música. Então com o guitarrista Robbie Krieger, o baterista John Densmore, Manzarek nas teclas, e Jim Morrison na voz nasceram os The Doors.

Empregara-se no clube noturno da moda em Los Angeles, o Whiskey A-Go-Go. Numa dessas noites eles tocaram The End, uma canção longa e semi-improvisada que tratava do assassinato de um pai pelo filho e o desejo sexual pela mãe, uma alusão ao complexo de Édipo, teoria de Sigmund Freud. O empresário da boate numa era conservadora despediu-os, mas Jack Holzman da editora Elektra, estava lá e ficou impressionado com o grupo. O primeiro disco, lançado em 1967 foi um sucesso imediato. The End demonstrava bem os assuntos que preocupavam Jim Morrison: morte, culpa, sexo e violência. Este álbum tinha uma música escrita pelo guitarrista Robbie Krieger, a primeira que ele escrevera, que iria tornar-se um dos hinos do Rock: Light my Fire.

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Das fotos mais famosas de Jim Morrison.

A presença e o show de Morrison no palco eram uma cuidados mistura de pseudo-violência ameaçadora e uma latente sexualidade animal. O segundo disco foi mais estranho nas suas letras, mas tão bem recebido quanto o primeiro. Músicas como When the Music’s Over, Stranges Days e People are Strange chegaram para ficar marcados na história do Rock. Apesar da postura grosseira ou rude, Jim Morrison era altamente culto e profundamente interessado em ideias filosóficas. Isto evidencia-se no terceiro LP Waiting For the Sun em 1968. Foi de novo uma música escrita por Robbie Krieger, Hello I Love You que deu ao grupo outro 1º lugar nos EUA.

Jim Morrison ficava cada vez mais agressivo dentro e fora dos palcos. Em Dezembro de 1967 foi preso em palco por alegada linguagem obscena. Em Miami 1969, aconteceu o famoso incidente em que foi preso por alegado atentado ao pudor. Jim contribuiu com pouco material para o quarto disco: The Soft Parade. Era um álbum mais fraco e fez os The Doors serem acusados de serem tão comerciais como qualquer outro grupo. Eles responderam às criticas com Morrison Hotel, com excelentes arranjos instrumentais, letras inteligentes e bem construidas entres as quais, Queen of the Highway, dedicada à sua esposa Pamela.

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Jim Morrison e a namorada Pamela Courson em quem se inspirou em grande parte dos seus poemas.

A banda atingiu o seu ápice em 1971 com L.A. Woman, um álbum com muita influencia do blues. Os anos de excessos cometidos começaram a fazer-se sentir em Jim Morrison. Cansado, desiludido, com a saúde afetada e cada vez mais interessado em poesia largou a banda e foi para Paris, fugindo do fardo de estrela do Rock. Afinal Jim Morrison queria ser poeta e não estrela do Rock, e achou que este rótulo não lhe dava seriedade necessária. Morreu supostamente de paragem cardíaca, na banheira a 3 de Julho de 1971 aos 27 anos. A sua morte permanece um mistério visto que quase ninguém viu o seu corpo, ainda há quem acredite que simulou a sua morte. Tanto a música como a lenda de Morrison e os The Doors nunca morrerão.

Discografia essencial:

  • The Doors;
  • Strange Days;
  • Waiting For the Sun;
  • Morrison Hotel;
  • Absolutely Live;
  • L.A. Woman;
  • An American Prayer;

Ricardo Frade

https://www.facebook.com/RicardoF.Guitarra/

Professor de guitarra e criador da Academiamusical.com.pt, Ricardo Frade é um apaixonado pela música e pretende incentivar o estudo da música em Portugal e Países Lusófonos.

O seu instrumento primário é a guitarra. O instrumento secundário é o piano. É aficionado por bandas sonoras instrumentais, área onde ambiciona atuar. Trabalha com ensino musical, produção musical e deseja conseguir contribuir para a dinamização do ensino da música em Portugal.

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