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Progressão de acordes: Função do acordes

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Até aqui no nosso curso de teoria musical já estudámos, escalas maiores, escalas menores, acordes, harmonizar escalas musicais, mas ainda não vimos o que fazer com os acordes que extraímos no processo. Por vezes quem estuda teoria musical desanima-se pois não percebe o sentido na prática deste processo todo, no fim o que todos queremos ao estudar teoria musical é fazer música. De uma forma muito simples podemos explicar o papel de cada um destes processos na criação musical:

  • As notas criam escalas;
  • As escalas criam acordes;
  • Os acordes criam progressões;
  • As progressões criam a música;

Claro que a progressão de acordes não é tudo numa música, mas junto com o ritmo é o pilar que irá sustentar toda a estrutura musical, e mais, a própria progressão de acordes pode indicar-nos o caminho na criação dos outros elementos como melodias, solos, etc. Na música (na boa música) existe constantemente uma criação e uma libertação de tensão. Este processo de criação e libertação de tensão é feito através das progressões de acordes. Uma forma de conseguir criar este processo na sua própria música é seguir algumas “regras” já utilizadas à centenas de anos. Como sabe não existem regras no sentido literal na música, no entanto, com o passar de muitos e muitos anos na música, existe algum consenso entre os grandes músicos quanto a progressões de acordes que de facto funcionam melhor que outras. Com o passar do tempo este consenso pode ser utilizado como “regra”, não no sentido literal mas é uma ótima ajuda.

De seguida vamos ver como os acordes se costumam mover, de forma a que devam soar bem. Como já sabe isto não é uma regra, quando você compor pode ir para qualquer acorde, no entanto vale experimentar estas “regras” e quem sabe lhe surja alguma ideia nova no processo. Os acordes estão escritos em numeração romana como já vimos. Se no caso aparecer um “I” significa que temos o primeiro acorde maior de uma escala, se utilizar a escala de Lá, então “I” refere-se ao acorde de Lá maior, se fosse “i” então seria Lá menor.

Regras para progressões de acordes em tons Maiores

Acorde: Destino:
I Vai para qualquer acorde
ii I, V ou viiº
iii I, ii, IV, ou vi
IV I, ii, iii, V, ou viiº
V I ou vi
vi I, ii, iii, IV, ou V
viiº I ou iii

 

Então vamos lá fazer esta experiência na prática. Imaginemos que decidimos criar a nossa música em Sol maior. Começamos com o acorde I, ou seja Sol maior e escolhemos ir para vi, ou seja Mi menor. O grau vi indica que podemos ir para I, ii, iii, IV, ou V. Escolho iii (si menor), grau esse que nos indica que podemos ir para I, ii, IV, ou vi. Opto por IV (Dó maior) e de seguida opto pelo V (Ré maior) por fim volto para I:

Progressão de acordes em tom maior

Esta foi a progressão que fizemos no exemplo em cima utilizando as regras da tabela anterior. Alguns acordes estão invertidos. Depois de ouvir o exemplo pode notar que quando voltamos ao acorde de Sol maior no fim, parecia que a música pedia que fosse este o acorde. Isto acontece devido ao acorde de Ré maior, que no caso da escala de Sol maior é o V grau. O quinto acorde da escala maior chama-se acorde dominante, e a principal característica deste acorde é a sua instabilidade dentro da escala. Quando toca o quinto acorde numa escala maior este “pede” para que se resolva a tensão, e o acorde mais estável de uma escala é o primeiro acorde. Portanto a opção mais simples é utilizar o acorde I para libertar a tensão do acorde dominante. Isto dá a sensação de resolução que o ouvinte espera na música. Entramos no mundo das cadencias que veremos na próxima aula. Assim como as regras para tons maiores temos as regras para os tons menores. Quando trabalhamos uma música num tom menor, o leque de acordes é maior, porque podemos utilizar os acordes da escala menor natural, menor harmónica e menor melódica.

Regras para progressões de acordes em tons Menores

Acorde: Destino:
i Vai para qualquer acorde
iiº ou ii i, iii, V, v, viiº ou VII
III ou III+ i, iv, IV, VI, #viº, viiº ou VI
iv ou IV i, V, v, viiº ou VII
V ou v i, VI ou #viº
VI ou #viº i, III, III+, iv, IV, V, v, viiº ou VII
viiº ou VII i

 

Então tomando esta tabela como guia vamos inventar mais uma progressão de acordes agora em tom menor. Utilizaremos a escala de Lá menor:

Progressão de acordes em tom menor

Basta analisar a progressão para ver que segue as regras da tabela em cima. A tonalidade menor confere à progressão uma sonoridade muito mais sombria bem perceptível. Nesta progressão são utilizados acordes da escala menor natural e da menor harmónica. O grau dominante continua a criar a tensão para que a música se resolva no grau i. Agora pode pegar no seu instrumento e baseado nestas tabelas criar as suas progressões de acordes, não se esqueça que isto não são bem regras, são mais uma ajuda.

Ricardo Frade

https://www.facebook.com/RicardoF.Guitarra/

Professor de guitarra e criador da Academiamusical.com.pt, Ricardo Frade é um apaixonado pela música e pretende incentivar o estudo da música em Portugal e Países Lusófonos.

O seu instrumento primário é a guitarra. O instrumento secundário é o piano. É aficionado por bandas sonoras instrumentais, área onde ambiciona atuar. Trabalha com ensino musical, produção musical e deseja conseguir contribuir para a dinamização do ensino da música em Portugal.

    1 Comentário

  1. daniel
    29 Julho, 2014
    Responder

    como sempre ,muito pratico e objetivo…cada dia aprendo mais aqui…

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