Licks de guitarra: Porque devemos aprendê-los

8 Abril, 2015 Guitarra 1437 Visualizações

Neste artigo vamos falar um pouco sobre licks de guitarra.

Porque devemos aprender licks de guitarra?

Não é melhor simplesmente improvisar? Uma coisa que devemos perceber sobre improviso na guitarra é que ninguém o faz no sentido puro de criar frases originais inteira e espontaneamente. Na verdade um solo improvisado, é uma combinação de frases (licks) que o guitarrista já tinha tocado no passado, e que são coladas de alguma forma com o improviso.

Alguns guitarristas vão discordar e reivindicar que eles nunca se sentaram e aprenderam licks de guitarra conscientemente. E isso pode ser verdade, mas todos nós absorvemos e tropeçamos em frases logo desde que aprendemos o que era a escala pentatónica menor.

Aprendemos licks de guitarra de diferentes formas

Alguns licks de guitarra são aprendidos enquanto brincamos com uma escala e tropeçamos numa ideia que gostamos, e alguns através de solos que tocamos de outros artistas. Também aprendemos licks de guitarra pela decisão consciente de os aprender seja a compor ou a transcrever frases, ou ainda a escolher licks compilados por outras pessoas.

Todas estas abordagens são válidas e contribuem para o nosso vocabulário musical. Se nunca fez um esforço para aprender licks de guitarra conscientemente, o mais provável é que o seu vocabulário musical tenha melhorado de forma muito gradual ao longo do tempo comparado com alguém que tenha desenvolvido o seu vocabulário de forma consciente. A razão para isto é que, para um lick se tornar útil, temos de tocá-lo muitas vezes. Quanto mais o lick for repetido, mais familiar se torna.

Eventualmente, com repetição suficiente, o lick fica interiorizado e forma uma parte da sua linguagem musical diária. Por esta altura, é mais provável o lick aparecer espontaneamente durante um improviso, sem qualquer esforço consciente.

Então como devemos praticar licks de guitarra?

Provavelmente o mais importante é praticar numa variedade de tonalidades em diferentes contextos musicais. Se apenas tocar licks de guitarra na tonalidade de Lá, então estará a reduzir as chances dos seus licks aparecerem durante um improviso, por exemplo, em Eb. Os licks de guitarra devem ser praticados em todas as 12 tonalidades. Da mesma forma, se apenas toca o lick na mesma backingtrack de blues de 12 compassos em Lá, estará novamente a reduzir a probabilidade do lick aparecer durante um improviso. Pratique o lick numa variedade de estilos, tempos e grooves.

Integração dos licks de guitarra

Outra abordagem importante no treino de licks é assegurar-se que não os treina só isoladamente. Quando começa a aprender uma nova frase, esta deve ser tocada cuidadosamente de forma isolada, mas logo que possível deve ser trazida para o mundo real ao colocá-la no contexto de um improviso.

Improvise uma frase de o leve até ao lick, toque o lick, e depois improvise uma frase para terminar. Este tipo de “sandes de lick” é um exercício muito útil que ajuda a trazer novo vocabulário ao seu improviso. Como anteriormente, isto deve ser repetido em vários contextos e estilos diferentes. Se não o conseguir fazer enquanto pratica muito menos conseguirá fazê-lo espontaneamente ao vivo.

Desenvolvimento

O problema mais comum quando se aprende novos licks de guitarra, é não variar o próprio lick. Tocar sempre o lick da mesma forma irá fazer com que os improvisos soem algo inflexíveis. Mesmo que o lick seja impressionante, é pouco provável que o solo fique bem conexo se tocar uma série de licks de guitarra desta forma.

Então como variar os licks? De qualquer forma que você imagine. Pode ser: alterar o ritmo do lick, repetir notas dentro do lick, mudar a nota final, mudar uma nota no meio, tocar o lick ao contrário, introduzir bends e slides, tocar um lick parecido noutra zona da escala, etc.

Repetição e flexibilidade

Este tipo de exercício pode parecer um pouco maquinado para quem o experimenta da primeira vez – e é. Contudo, quanto mais fizer isto, mais fácil se torna, mais flexíveis os seus licks de guitarra se tornam e melhor será você a improvisar. Com um pouco de prática você pode desenvolver um solo inteiro baseado apenas numa frase de seis notas.

Isto não é algo novo; compositores clássicos têm feito isto por séculos (experimente “Fundamentos da composição” por Arnold Schoenberg para uma grande aula no desenvolvimento de frases, motivos e temas).

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