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Efeitos: Reverb

A reverberação desempenha um papel fundamental na forma como ouvimos o som. Como se pode ver na figura, quando estamos numa sala e ouvimos alguém a falar ou a tocar, para além do som direto que vem da fonte sonora até aos nossos ouvidos, ouvimos também diversas reflexões originadas pelas superfícies existentes na sala (paredes, chão, teto, mesas, etc.). Com o tempo (em regra 0.5 e 5 segundos, essas reflexões vão diminuindo de intensidade até que se extinguem. A isto se chama de reverberação (reverb).

É precisamente este comportamento que os processadores de reverb tentam reproduzir. Este prolongar do som é algo que, na quantidade certa, ajuda o ouvido no processo de audição, embora o seu exagero ou a sua não existência tornem a audição desagradável.

Reverb numa sala

Podemos dividir o reverb em duas zona distintas: reflexões iniciais (early reflections) e a reverberação propriamente dita. As reflexões iniciais têm um papel fundamental no reverb, uma vez que são responsáveis por indicar algumas informações fundamentais sobre a sala (por exemplo, o tamanho da sala). Na configuração do reverb, existem normalmente diversos parâmetros:

Reverb Time – Indica a duração do reverb. Em regra, este valor corresponde ao tempo necessário para que o sinal decaia 60 dB;

Reverb Type – O tipo de reverb pretendido (room, hall, plate, etc).

Pre-delay – Corresponde ao atraso entre o som direto e as primeiras reflexões.

Room Size – Tamanho da sala a simular.

Low Cut – Atenuação dos graves resultantes da reverberação.

High Cut – Atenuação dos agudos resultantes da reverberação.

Tal como nas unidades de delay, as soluções analógicas de reverb eram soluções normalmente complexas e que apresentavam resultados que deixavam muito a desejar. As únicas exceções eram as soluções eletromecânicas, nomeadamente o spring reverb e o plate reverb. O primeiro assenta num sistema de molas relativamente simples, que ainda é usado em muitos amplificadores de guitarra. Experimente abanar um amplificador de guitarra ligado, e vai ouvir um som característico devido ao movimento das molas usadas para o reverb. O plate Reverb é baseado numa chapa metálica suspensa, e ainda é usado em alguns estúdios.

Ao nível digital, as primeiras unidades de reverb usavam unidades de delay com feedback, configurados com atrasos inferiores a 50 ms, no entanto, tinham um som verdadeiramente artificial. Com o tempo começaram a ser construídos melhores unidades, e atualmente conseguem-se reverbs muito bons (a Lexicon e a TC Electronic são bastante conhecidas pela qualidade dos seus reverbs). Nos dias de hoje, com o aumento da capacidade dos processadores DSP (digital signal processors), começam a existir soluções de reverb, que reproduzem a reverberação existente em salas reais.

Através de uma técnica similar ao sampling (neste caso através da captação da resposta de uma sala a um ou mais impulsos acústicos), consegue-se captar a resposta acústica da sala, de forma a ser aplicada a um sinal de áudio. Assim é possível aplicar num sinal áudio o mesmo reverb que existiria numa determinada sala de espetáculos. Imagine aplicar o reverb da “Opera de Sydney” nas próximas gravações!

Esta técnica, chamada de CONVOLUÇÃO, já é conhecida há muito tempo, mas só agora é que existe capacidade de processamento para que possa ser aplicada ao reverb e em tempo real. Para se ter uma ideia do processamento necessário, para simular uma sala com um tempo de reverberação de 1,5 segundos podem ser necessárias mais de 100 000 multiplicações e outras tantas adições por amostra. Isto significa que para 1 segundo de áudio, um processador de reverb deste tipo pode necessitar de efetuar mais de 8 000 000 000 operações aritméticas. Já existem no mercado amostras de diversas salas que se podem usar com estas unidades. Se o utilizador desejar, pode também captar as suas próprias salas, para usar posteriormente.

Ricardo Frade

https://www.facebook.com/RicardoF.Guitarra/

Professor de guitarra e criador da Academiamusical.com.pt, Ricardo Frade é um apaixonado pela música e pretende incentivar o estudo da música em Portugal e Países Lusófonos.

O seu instrumento primário é a guitarra. O instrumento secundário é o piano. É aficionado por bandas sonoras instrumentais, área onde ambiciona atuar. Trabalha com ensino musical, produção musical e deseja conseguir contribuir para a dinamização do ensino da música em Portugal.

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