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Efeitos: Delay

Um dos efeitos bastante utilizados em áudio é o delay. O que este efeito faz simplesmente é atrasar o som antes de coloca-lo na saída, criando algo similar a um eco. Este efeito é usado normalmente de duas formas possíveis: com um valor de atraso muito pequeno (inferior a 100 ms), normalmente usado para reforçar determinado canal (por exemplo, para reforçar ligeiramente a voz); ou com um valor de atraso médio/grande, para criar um efeito realmente temporal mais ou menos similar a um eco.

Na maior parte das vezes, o delay é usado como efeito musical, cujo valor tem como base o tempo da música, ou seja, utiliza-se o delay para que o tempo de atraso coincida com uma semínima ou uma colcheia (ou algo similar), de forma a que o delay esteja sincronizado com o ritmo.

Alguns processadores de efeitos permitem inclusivamente que o atrase seja definido musicalmente, indicando o utilizador o tempo da música em bpm (batidas por minuto) e a duração da nota (semínima, colcheia, etc.) No entanto, a maioria dos processadores apenas aceita valores em milissegundos. Nestas situações, muitos profissionais utilizam determinadas tabelas para descobrirem o valor em milissegundos, com base no tempo (bpm) e no tipo de nota. Na realidade, é bastante fácil descobrir esse valor, utilizando uma máquina de calcular. Vejamos:

t = duração * 60 000 / bpm

Utilizando a duração da nota (1 para semínimas; 0,5 para colcheias, etc.) e o tempo (bpm), a fórmula anterior indica o valor do delay em milissegundos. Por exemplo, numa música a 120 bpm, uma colcheia corresponde a 250 ms. A maior parte das unidades de delay permitem o feedback, que corresponde a colocar parte da saída novamente na entrada,criando ecos sucessivos, uns atrás de outros, embora estes se vão atenuando com o tempo.

Este feedback é configurado em percentagem (a percentagem do sinal de saída que volta a entrar no delay): 0% indica que não há feedback; valores inferiores a 100% indicam que o som vai fazer várias passagens pelo delay (embora vá ficando cada vez mais fraco); 100% indica que o sinal não irá parar de circular no delay. Muitos processadores de efeitos incluem programas denominados de multitapdelay, que correspondem a diversos delays, podendo cada um destes ser configurado individualmente e colocado em saídas distintas, dando mais criatividade ao utilizador.

A criação de delays usando métodos analógicos é muito complicada. Uma das primeiras formas de delay era feita através da gravação magnética, em que uma cabeça fazia a gravação do sinal na fita, e mais à frente, a uma determinada distância, uma outra cabeça iria ler a fita. Alterando a velocidade da fita, ou a distancia entre as cabeças de gravação e leitura, obtêm-se delays diferentes.

Hoje em dia, com o áudio digital, o processo é mais simples – um conversor A/D converte o sinal para números (caso o sinal de entrada não seja digital), esses números são armazenados numa memória, onde são lidos alguns instantes mais tarde, sendo convertidos novamente em áudio através de um conversor D/A. A maior dificuldade é o tamanho de memória necessária, uma vez que para ter um atrase de alguns segundos, é necessário armazenar cerca de dezenas ou centenas de milhar de amostras. Por exemplo, um delay de 1 segundo pode necessitar de armazenar 24 100 amostras (considerando uma frequência de amostragem de 44.1 kHz). Se cada amostra ocupar 2 bytes (16 bits), então será necessário uma memória de 88 200 bytes.

Ricardo Frade

https://www.facebook.com/RicardoF.Guitarra/

Professor de guitarra e criador da Academiamusical.com.pt, Ricardo Frade é um apaixonado pela música e pretende incentivar o estudo da música em Portugal e Países Lusófonos.

O seu instrumento primário é a guitarra. O instrumento secundário é o piano. É aficionado por bandas sonoras instrumentais, área onde ambiciona atuar. Trabalha com ensino musical, produção musical e deseja conseguir contribuir para a dinamização do ensino da música em Portugal.

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