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Desmistificando os modos gregos 7/15: Comparação dos modos gregos

Se não viu o artigo anterior da série clique aqui. Agora que já consegue encontrar o campo harmónico de qualquer modo, vamos fazer agora a comparação dos modos gregos. Vamos olhar para todos os modos com o centro tonal de Dó e olhar como cada modo é diferente, e o que isso significa… isto explicará mais tarde o porquê de utilizarmos cada modo.

Modo I II III IV V VI VII CA
Dó Jônio Mi Sol Si Dó maior
Dó Dórico Mib Sol Sib Sib maior
Dó Frígio b Mib Sol b Sib Láb maior
Dó Lídio Mi Fá# Sol Si Sol maior
Dó Mixolídio Mi Sol Sib Fá maior
Dó Aeólio Mib Sol b Sib Mib maior
Dó Lócrio b Mib Solb b Sib Réb maior

Parece confuso não é? Isso apenas acontece porque está tudo junto – vamos apenas dar uma vista de olhos superficial aos princípios envolvidos aqui, tornando mais fácil olhar para cada modo em profundidade. A primeira coisa a reparar: As escalas não são tão diferentes umas das outras! Entre o Mixolídio e o Lídio só há uma nota de diferença!

Mudar as notas é uma boa ferramenta e de forma a vermos melhor o que se passa vamos mudar a forma como olhamos para a tabela e olhar de uma forma mais matemática – mas não se preocupe, é matemática fácil. Na próxima tabela vamos ver cada modo com as notas transformadas em graus, o que significa comparar cada nota com a nota que ocorreria na escala maior.

Como assim? Se olharmos para o modo Dórico a primeira nota que é diferente é o Mi bemol – e na escala de Dó maior o 3º grau da escala é Mi. Então iremos chamar essa nota no modo Dórico de b3 (terça bemol) porque a nota original foi diminuída um semitom. Comparamos cada modo em relação à escala maior.

Modo I II III IV V VI VII
Jônio 1 2 3 4 5 6 7
Dórico 1 2 b3 4 5 6 b7
Frígio 1 b2 b3 4 5 b6 b7
Lídio 1 2 3 #4 5 6 7
Mixolídio 1 2 3 4 5 6 b7
Aeólio 1 2 b3 4 5 b6 b7
Lócrio 1 b2 b3 4 b5 b6 b7

Nesta serie de artigos sobre modos gregos vamos olhar para cada modo individualmente e olhar para as características de cada um, mas há alguns conceitos básicos a reter antes. Para que os modos gregos façam sentido terá de começar a olhar para as notas das escalas por intervalos. Se ainda não se está familiarizado com intervalos musicais aconselhamos que veja o nosso ebook Teoria Musical Fundamental.

Olhe para a coluna do III grau. Provavelmente já sabe que a terça de um acorde ou escala determina se o acorde ou escala é maior ou menor (não está certo disso? Tem de dominar este conceito para estes artigos, não se esqueça de olhar para o Teoria Musical Fundamental) e então pode ver claramente que os modos menores são o Dórico, o Frígio, o Aeólio e o Lócrio. O Lócrio é um modo muito particular que veremos mais tarde à parte. Isto deixa-nos com três modos maiores: Jônio, Lídio e o Mixolídio. De nada serve o quão parecidos são.

O grau VII é importante também, pode ver que é alterado em todos os modos menos no Jônio e no Lídio. Na sua forma mais pura é um som Dominante – um acorde de sétima dominante (toque um maior e depois um Ré7 e ouça o som dominante em contexto).

Os acorde menores geralmente querem-se com uma sétima menor ou terão um som muito particular – existe um acorde chamado menor – maior7 mas não ocorre naturalmente na escala maior. Olhe para a tabela e pense um pouco nos intervalos, olhe para os padrões, a ordem com que as notas mudam de modo para modo para entender os intervalos que caracterizam cada um. Estamos quase a entrar na parte prática. Como treinar modos gregos.

Ricardo Frade

https://www.facebook.com/RicardoF.Guitarra/

Professor de guitarra e criador da Academiamusical.com.pt, Ricardo Frade é um apaixonado pela música e pretende incentivar o estudo da música em Portugal e Países Lusófonos.

O seu instrumento primário é a guitarra. O instrumento secundário é o piano. É aficionado por bandas sonoras instrumentais, área onde ambiciona atuar. Trabalha com ensino musical, produção musical e deseja conseguir contribuir para a dinamização do ensino da música em Portugal.

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