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Desmistificando os modos gregos 4/15: Porque utilizar os modos gregos?

Então, porque precisamos afinal dos modos gregos? Porque havemos de querer aprender modos gregos se são as mesmas notas da escala maior? Estas são as maiores questões que se fazem a aprender os modos, e é sobre estas questões que falaremos neste artigo.

No artigo anterior falámos sobre a Sequência de acordes diatónicos e a forma como pode utilizar a escala maior em cima de qualquer acorde da Sequência de acordes diatónicos desse tom. As notas da escala maior teoricamente estão todas certas quando tocadas em cima de uma sequência de acordes nesse tom, no entanto digamos que existem umas notas mais certas que outras. Vamos ver um exemplo utilizando modos gregos e acordes que derivam da escala de Dó maior.

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Pacote completo para aprenderes a tocar piano.

Para este assunto você PRECISA OUVIR, é mais que importante que faça este exercício é fundamental, pode arranjar um amigo que toque os acordes, ou ainda gravar os acordes para depois tocar por cima (um pedal de loop para guitarristas é brilhante para isto), ou ouça as pequenas backintracks neste artigo, no entanto é interessante que ouça os acordes no seu instrumento preferido.

Vamos começar a falar sobre a escala de Dó maior tocada em cima do acorde de Dó maior. Isto dá-nos o modo Jônio (também conhecido por escala maior, portanto quando eu escrevo escala maior é o mesmo que dizer modo jônio). O que você precisa ouvir é a forma como cada nota da escala de Dó maior soa em cima do acorde de Dó maior.

Então vamos começar com a base no acorde de Dó maior (peça ao seu amigo para tocar o acorde, utilize um pedal de loop, grave no seu computador, ou utilize o som mais abaixo) e toque no seu instrumento cada nota da escala de Dó maior, bastante devagar e ouça o efeito que cada nota tem quando tocada em cima deste acorde. Assegure-se que está ciente das notas que está a tocar, pode dizer as notas em voz alta para facilitar. Isto irá ajudar a lembrar as notas boas e as menos boas.

Para continuar a ler é preciso que tenha já feito essa análise. Se a fez provavelmente reparou que há algumas notas que soam bastante melhor que outras. Provavelmente notou que as notas , Mi e Sol soam perfeitas com o acorde. Deve ter notado que as notas e soaram um pouco tensas, mas também algo agradáveis. E espero que tenha notado que as notas e Si soaram bastante dissonantes e algo “erradas“.

O Si é na verdade uma boa nota na circunstancias certas, mas não é uma boa nota para repousar. Já a nota Fá é uma péssima nota para repousar. é uma ótima nota para ser utilizada apenas como nota de passagem, mas pousar uma melodia na nota Fá quando estamos no acorde de Dó maior irá ter soar pessimamente.

A razão para isso acontecer, é porque o Fá é o quarto grau da escala – e tocado em cima do acorde  a quarta tende a colidir com a terça do acorde, principalmente por estas notas estarem distanciadas apenas por um semitom. Vamos olhar para todas as notas da escala (modo) sobre o acorde para tornar tudo claro. NA significa Nota do Acorde.

  I II III IV V VI VII
Dó maior Mi Sol Si
  Tónica (NA)  2ª 3ª (NA) 5ª (NA)

Agora repita o processo e volte a tocar a escala em cima do acorde de Dó maior para assegurar que consegue identificar que as notas de acorde soam bastante bem e ouça como a quarta (Fá) soa dissonante. Dispense algum tempo a fazer isto se quiser realmente ficar com este conceito interiorizado. Aprenda a OUVIR mais e a pensar menos. Os seus ouvidos devem ser os juízes do que soa bem não o seu pensamento. Então um ponto importante a relembrar:

Todas as notas da escala são boas, mas umas são melhores que outras.

Então agora vamos olhar para um modo grego – e vamos ver como é tocar a escala de Dó maior em cima do Quinto acorde no tom de Dó maior: que é Sol com sétima dominante. Iremos chamar a isto Sol Mixolídio, mas para já isso ainda não é importante… por enquanto ainda só estamos a ver porque os modos são úteis – não se preocupe para já com os nomes dos modos.

Agora precisa de uma base com o acorde de Sol maior com sétima dominante (G7) – mais uma vez pode pedir a um amigo para tocar esse acorde, gravar você, ou utilize o player em baixo – e de novo OUÇA com atenção todas as notas da escala de Dó maior a ser tocadas em cima do acorde de Sol7. Então agora vai ter de experimentar (tem mesmo de experimentar isto na prática, não ler apenas ou não vai perceber) porque a única maneira de entender isto é OUVINDO.

Após ter tocado as notas e escutado cada uma com bastante atenção deverá reparar que as notas que soam bem em cima do acorde de G7 são diferentes das notas que soaram bem em cima do acorde de Dó maior, são as mesmas notas mas cada uma teve um efeito diferente em cima de acordes diferentes.

  I II III IV V VI VII
Sol Mixolídio Sol Si Mi
  Tónica (NA) 3ª (NA) 5ª(NA) 7ª(NA)

Se ouviu com atenção e tocou todas as notas da escala de Dó maior em cima do acorde de G7, deve ter notado que as notas do acorde (NA) Sol, Si, Ré e Fá soam todas muito bem, Lá e Mi são interessantes e Dó não soa bem (é a quarta a colidir com a terça mais uma vez). Então neste caso a nota Dó (que é a tónica da escala maior referencial) não é uma boa nota para tocar – e a nota Fá (que não soava bem em cima do acorde de Dó maior) é agora uma ótima nota para tocar com o acorde de Sol 7.

É por isto que precisamos dos Modos Gregos.

As notas da escala de Dó maior podem ser tocadas em cima do acorde de Dó maior 7 e do acorde Sol 7 (se entende a teoria diatónica básica já está à vontade com este conceito) mas a relação entre as notas da escala e os acordes muda. O efeito da nota muda quando o acorde muda.

Outro exemplo… O terceiro acorde na escala de Dó maior é o Mi menor. Toque a nota Dó em cima do acorde de Mi menor e irá notar que a nota soa muito mal. Aprender modos gregos irá ajudá-lo a tocar em cima dos acordes, seja a improvisar ou a compor, em vez de ficar só a pensar em tonalidade. O que é muito importante quando o tom muda muitas vezes, como no jazz ou no blues moderno. Isto também fará a sua música ter um sentido, estar dentro da harmonia o que é muito mais agradável.

Modos gregos ajudam-nos a entender a relação entre as escalas e os acordes.

É para isso que os modos servem. É entender porque algumas notas de uma escala vão funcionar melhor em cima de uns acordes e pior em cima de outros. Nos próximos artigos vamos olhar mais para como olhar para a teoria modal, e depois como devemos praticar. Depois vamos olhar para cada modo grego, ouvir e praticar para entender como soam e perceber porquê e quando usar.

Assimile este artigo com calma e ouça muitas vezes as notas em cima dos acordes. Próximo artigo.

Ricardo Frade

https://www.facebook.com/RicardoF.Guitarra/

Professor de guitarra e criador da Academiamusical.com.pt, Ricardo Frade é um apaixonado pela música e pretende incentivar o estudo da música em Portugal e Países Lusófonos.

O seu instrumento primário é a guitarra. O instrumento secundário é o piano. É aficionado por bandas sonoras instrumentais, área onde ambiciona atuar. Trabalha com ensino musical, produção musical e deseja conseguir contribuir para a dinamização do ensino da música em Portugal.

    2 Comentários

  1. 12 Dezembro, 2018
    Responder

    Rapaz, muito bons os artigos, mas cara, quando vou pular para o próximo aparece um cupcake kkk

    • Ricardo Frade
      13 Dezembro, 2018
      Responder

      Ahahahah Eric, o problema está resolvido. De facto foi um problema estranho mas cómico.

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