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9 dicas para produzir a bateria

Dentro do mundo musical, por vezes, há quem tenha ideia que os bateristas são como que analfabetos musicais, têm pouca musicalidade, pouco trabalho, etc… Esta ideia não podia estar mais errada. Se entrar no mundo da produção da bateria, verá como é extremamente difícil substituir um baterista (na verdade é impossível mesmo), e verá a influência extrema que este exerce na musicalidade, podendo até ser considerada a peça mais importante na música moderna.

Hoje em dia muitos produtores utilizam sequenciadores de bateria, e produzem os padrões rítmicos no computador, e isto traz algumas vantagens como a comodidade e a não-necessidade do domínio técnico do instrumento. No entanto, e principalmente os mais amadores, perdem-se com tantas possibilidades de programação de uma bateria eletrónica que tornam a batida nada real ou convincente, esquecendo-se dos pequenos pormenores de uma bateria real, que iremos ver aqui.

Existem fatores que influenciam o som de uma bateria real – o instrumento, o espaço, a pegada técnica do baterista, a dinâmica, etc – e é isto que se pretende programar com um sequenciador. Além de ser impossível substituir uma bateria real, podemos produzir resultados mais convincentes se tratarmos dos seguintes aspetos:

1Lembre-se das limitações físicas de um baterista real. Como é lógico os bateristas apenas possuem dois braços e duas pernas, logo só podem produzir som com quatro membros. Muitos ritmos de Rock e Pop incorporam um hi-hat firme de colcheias ou semicolcheias. Acima de um certo tempo, para fazer isto serão necessárias duas mãos, portanto é importante quando estiver a programar bateria pensar no que cada mão “virtual” está a tocar. Se um baterista profissional ouvir uma bateria programada onde é tocado por exemplo, um snare, dois toms, um prato e um hi-hat em simultâneo com certeza ele achará ridiculo, seriam necessários uns cinco braços para isso.

2 – Pela mesma razão existem alguns tipos de sons que não podem ser combinados de forma realista no mesmo padrão. Não pode mudar instantaneamente entre escovas e baquetas por exemplo, ou entre utilizar um hi-hat normal e um com um tamborim no topo.

3 – Tenha em mente que a força utilizada para tocar numa bateria não é constante, é dinâmica. Até certo modo haverá uma variação aleatória na força empregue em cada elemento, mas existem variações previsíveis. Na música Rock ou pop, por exemplo, a primeira batida de cada compasso é enfatizada, enquanto que por exemplo o raggae tem como característica a terceira batida mais pesada. Também existem limitações físicas na força aplicada à bateria: batidas tocadas em sucessões rápidas serão mais fracas uma vez que em velocidades muito rápidas o baterista não consegue levantar muito a baqueta, ou afastar muito o pedal do kick.

4 – Utilize apenas elementos de percussão que sejam apropriados para o estilo de música que está a tentar emular, e lembre-se que as baterias reais apenas contém um número limitado de elementos. Não é comum por exemplo um baterista de rock ter nos seus elementos sinos de vento ou uma conga; da mesma forma se procura emular uma sonoridade ao estilo da pop dos anos 60, um snare 808 não lhe irá ajudar.

5 – Se ainda não está certo do feel que a parte da bateria deve ter lembre-se que não necessita de começar por gravar a bateria. Se a sua música se centra em torno de um riff particular de piano ou baixo, por exemplo, pode experimentar gravar isso primeiro e só depois adicionar a bateria. Não se esqueça que a bateria e a parte instrumental devem estar em sintonia.

6 – Não grave um ou dois compassos e repita simplesmente o padrão ao longo da música. Mesmo que queira o mesmo padrão ao longo de toda a música, grave vários compassos e misture-os. Cada versão que gravar tem pequenas variações na dinâmica e no timing (a não ser que utilize apenas o piano roll e a função quantize) e isso ajudará a alcançar um feel muito mais real.

7 – Atenção à função quantize. Esta função coloca as batidas no timing perfeito, isto pode ser positivo para quem não consiga atingir nem de perto um bom timing, mas nem os bateristas profissionais tocam no milissegundo exatamente perfeito, isto dá um feel muito mais real à música.

8 – Mantenha a simplicidade. Hoje em dia com os sequencidadores cheios de sons é fácil sobrecarregar o ritmo, principalmente por adicionar elementos a mais. Lembre-se das limitações humanas de um baterista.

9 – Aprenda a ler a notação de bateria e procure transcrições de músicas famosas na internet. Quanto mais souber sobre tocar bateria mais facilidade terá em criar boas batidas.

Ricardo Frade

https://www.facebook.com/RicardoF.Guitarra/

Professor de guitarra e criador da Academiamusical.com.pt, Ricardo Frade é um apaixonado pela música e pretende incentivar o estudo da música em Portugal e Países Lusófonos.

O seu instrumento primário é a guitarra. O instrumento secundário é o piano. É aficionado por bandas sonoras instrumentais, área onde ambiciona atuar. Trabalha com ensino musical, produção musical e deseja conseguir contribuir para a dinamização do ensino da música em Portugal.

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