Motivação VS Disciplina: O segredo do sucesso

25 Abril, 2016 Blog 675 Visualizações

Se eu lhe perguntasse qual dos dois fatores acha mais importante para alcançar os seus objectivos, qual escolheria: Motivação ou Disciplina? Em primeiro lugar você poderá estar a pensar: “Essa pergunta é ridícula, uma coisa não invalida a outra”. E isso é de facto verdade, porém na prática quando o nosso objetivo requer tempo e consistência, um deles tem bastante mais peso que o outro. No entanto a grande maioria das pessoas inclina-se para o errado, levada pelos discursos dos gurus motivacionais.

Neste artigo quero mostrar como as coisas podem não ser como você possa estar a pensar. As ideias que irei expor estão bem definidas pela ciência e comprovadas pela minha própria experiência (e por tantas outras pessoas como eu). E posso garantir que vou mostrar como você pode alcançar os seus objetivos, não só na música como em qualquer área da sua vida.

Deixe-me fazer-lhe uma questão: Já alguma vez se sentiu super motivado para iniciar algo novo mas não conseguiu manter essa motivação e simplesmente desistiu por consequência? Infelizmente esta situação é extremamente comum e leva várias pessoas a desistir sem sequer terem começado a ver os resultados do seu esforço. Veja se está habituado a dizer ou a ouvir alguma das seguintes afirmações:

“Quero muito aprender a tocar guitarra mas não consigo porque não tenho motivação para me disciplinar”;

“Gostava de tocar piano mas não tenho motivação para aprender ou praticar”;

“Quero tanto emagrecer mas não consigo treinar porque não tenho motivação“;

Se você quer alcançar um objetivo, existem duas formas de o tentar concretizar. A primeira e a mais popularmente difundida (e incorreta) é usar a motivação como fonte principal de energia. A segunda e não tão popular (mas correta) é escolher desenvolver auto-disciplina independentemente da sua motivação do dia a dia. Qual é a diferença entre estas duas abordagens?

Quando dependemos da motivação operamos na suposição errada de que para completar uma tarefa é necessário um estado mental ou emocional específico, neste caso a motivação.

Esta forma de pensar não é viável para objetivos de longo prazo e vamos já ver o porquê. Por outro lado:

A disciplina separa as ações dos estados mentais e emocionais e desta forma, irónicamente, altera esses mesmos estados melhorando-os.

“Apenas os disciplinados são verdadeiramente livres. Os indisciplinados são escravos do humor, emoções e paixões.”- Stephen Covey 

 As implicações desta alteração são enormes. Isto significa que a motivação não precisa de vir antes da ação, a motivação pode aparecer depois de iniciar a ação. Este conhecimento é de extrema importância especialmente para nós músicos cujo desenvolvimento depende duma prática diária constante. Acreditar que iremos acordar todas as manhãs cheios de vontade e motivação para praticar, trabalhar e alcançar os nossos objetivos é pura ingenuidade. A verdade é que não estamos todos os dias cheios de motivação e nós não podemos depender do nosso estado de espírito para lutar por um objetivo, porque os nossos estados emocionais são extremamente inconstantes.

Quando eu decidi aprender a tocar guitarra planeei o meu treino e decidi que me ia dedicar todos os dias a praticar. Em 365 dias eu pratiquei cerca de 340. Nesses 340 dias, peguei na guitarra cheio de motivação e energia para praticar? Claro que não. Mas nessa altura eu já tinha este conhecimento e não posso deixar de enfatizar o quão poderoso ele é. O mais interessante é que 99% das vezes que praticava sem vontade, ela aparecia pouco tempo depois de ter começado e esse é o grande lance. Não me interprete mal, eu não estou a dizer que ter motivação é mau, muito pelo contrário. Estou apenas a dizer que não devemos esperar que ela apareça para iniciarmos as nossas tarefas.

Então o ponto é: Faça o que tem a fazer mesmo que não tenha vontade. O mais interessante é que a auto-disciplina é desenvolvida. Cada vez que você se auto-disciplina e faz algo sem vontade, isso torna-se cada vez mais fácil. Isto é explicado pela neuroplasticidade. Vou ser bastante breve nesta explicação. Antigamente os cientistas pensavam que cérebro adulto era fixo, hoje sabemos que não. O cérebro está constantemente a modificar-se e a este processo damos o nome de neuroplasticidade, a capacidade do cérebro se modificar a ele mesmo. O que acontece é que quando você toma uma decisão ou faz alguma coisa, é criado um novo padrão de ligações neurais no seu cérebro e de cada vez que você repete essa ação esse padrão é reforçado, assim essa ação torna-se cada vez mais automática e fácil para si de executar. É assim que se formam os hábitos. É assim também que nos tornamos melhores a tocar um instrumento musical a cada vez que repetimos os nossos exercícios. Quando estiver num daqueles dias em que a sua vontade está no zero e não podia descer mais baixo, veja isso como uma oportunidade. Ser disciplinado nesses dias reforça ainda mais o seu hábito.

Existem também consequências a nível psicológico quando ficamos dependentes da motivação. Se acreditamos que precisamos de nos sentir motivados e apaixonados o tempo todo, mais cedo ou mais tarde vamos ter de deparar-nos com a realidade. A verdade é que nós não nos sentimos assim o tempo todo. Se tivermos consciência do que eu disse anteriormente, sabemos que ter fases menos boas é perfeitamente normal e que vamos fazer o que temos a fazer independentemente de como nos sentimos. Se por outro lado acreditamos que temos e devíamos sentir-nos entusiasmados, ao bater de cara com a realidade vamos sentir-nos frustrados, culpados por não conseguirmos manter essa motivação, o que por sua vez nos faz sentir mais desmotivados e entramos nesta espiral descendente.

Então deixe que a motivação seja a sua força extra mas não dependa dela para fazer o que precisa para atingir o seu objetivo. Simplesmente lembre-se do que quer ser ou alcançar e depois de traçado o caminho, siga-o, mesmo nos dias em que não sente vontade. Não se esqueça que quanto mais vezes repetir mais fácil vai ficando manter-se disciplinado.

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