Dicas na utilização da mesa de mistura

30 Abril, 2014 0 Comments Mistura e Masterização , Tutoriais 585 Views
Dicas na utilização da mesa de mistura

Para definirmos o ganho do pré-amplificador, temos de ter em consideração dois factores importantes: a relação sinal-ruído e a distorção. Convém aumentar o ganho ao máximo para aumentar a relação sinal-ruído (quanto maior for o sinal, menos se nota o ruído); mas por outro lado, queremos que o ganho não seja exagerado ou acabará por distorcer o sinal. Isto significa que devemos aumentar o ganho até ao ponto ligeiramente antes de ocorrer distorção (clipping). Para isso, o ideal é colocar à entrada o sinal mais forte que vai ser gerado nesse canal durante a gravação ou o concerto – se for um sintetizador, tocar o som mais forte que este tiver; se for um microfone, colocar o som mais intenso que este irá captar, etc. E aumentar o ganho até ao ponto imediatamente antes de haver distorção. Desta forma sabemos que, por muito intenso que seja o sinal, este não entra em distorção, e garantimos que a relação sinal-ruído é a mais alta possível.

Embora a maior parte das mesas terem detetores de clipping (os leds vermelhos), aconselhamos a não confiar em demasia neles. Se estes indicarem que existe distorção, garantidamente é porque ela existe ou está muito perto de existir. No entanto pode haver distorções que não são detetadas. Numa mesa de mistura, a distorção pode acontecer em qualquer parte onde exista amplificação, ou seja, esta pode ocorrer no andar de ganho, no andar da equalização (caso o equalizador esteja a aumentar alguma banda de frequências), num aparelho externo ligado ao insert, ou no andar do volume.

A equalização é uma das tarefas mais difíceis de quem trabalha com mesas de mistura, quer sejam novatos ou profissionais. Uma das técnicas usadas para equalizar o som é muito parecida com a técnica usada para afinar uma corda de uma guitarra (ou de outro instrumento de cordas). Quem toca guitarra sabe que para afinar uma corda, o melhor processo é desafiná-la mais (tornando-a mais solta), e a partir daí ir apertando até ao ponto certo. Para equalizar um sinal, o processo é muito parecido:

1. Colocar todas as bandas do equalizador na posição intermédia.
2. Começando dos graves para os agudos, fazer o seguinte:
    a. Rodar o botão de extremo a extremo duas ou três vezes, de forma a ouvirmos o seu efeito.
    b. Rodar, a partir do extremo esquerdo até sentir que este está “no ponto”.
3. Repetir o passo 2 as vezes necessárias até se obter o som desejado.

Se o equalizador for paramétrico ou semiparamétrico, embora os seus resultados serem muito melhores, a sua utilização torna-se um pouco mais complicada, especialmente para quem não tem experiência. De qualquer forma, pode colocar a frequência e o Q nas posições intermédias, e usá-lo inicialmente como um simples equalizador normal. Com o tempo passará a usar estes parâmetros mais vezes e a obter melhores resultados.

Normalmente as pessoas com pouca experiência tendem a exagerar na equalização. Muitas vezes a melhor equalização é deixar todos os parâmetros a meio, ou seja, sem fazer rigorosamente nada. Tendo em conta que muitas mesas têm um botão para ativar ou desativar a equalização, as pessoas com menos prática devem comparar o som com equalização e sem equalização. A que soar melhor deve ser a escolhida.

Muitas pessoas não sabem se para determinado efeito devem usar o insert ou usar um auxiliar. O insert deve ser usado em situações em que se pretende alterar completamente todo o sinal, ou seja, deitar fora o sinal antigo e passar a usar apenas o sinal novo. Normalmente os inserts são usados com equalizadores e processadores dinâmicos (compressores, gates, etc.). Os auxiliares devem ser usados para adicionar algo, mantendo o sinal original. São utilizados com reverbs e efeitos desse género. Outra diferença importante é que o insert apenas é usado para um canal,  enquanto que um auxiliar pode ser usado para diversos canais.
Se eventualmente existir a necessidade de aplicar o mesmo insert a vários canais (por exemplo, aplicar um compressor a vários microfones da bateria), a melhor forma de o fazer é através de um subgrupo, ou seja, agrupar os vários canais num subgrupo e aplicar o insert no subgrupo em questão.

Em relação às panorâmicas, há um aspeto a ter em consideração. Quando se faz a mistura para uma gravação (por exemplo CD) não se sabe se a gravação vai ser ouvida em colunas ou em headphones. Se a gravação for reproduzida em colunas, não haverá problema se alguém colocar um som a sair apenas numa coluna, de forma a dar a sensação que o som está num extremo. Mas se a reprodução for feita por headphones, tal situação não pode ocorrer. Não é natural ouvir-se um som num ouvido, e no outro não.

Qualquer som é sempre captado pelos dois ouvidos, embora tenham intensidades diferentes. Mesmo em situações de reprodução em colunas, a não ser que se deseje algum tipo de movimento do som, ou algo parecido, a colocação de um som vindo apenas de uma coluna pode não ser muito desejável. Aconselhamos que para sinais mono as panorâmicas sejam usadas de uma forma não exagerada, usando apenas a metade central (entre as 9 horas e as 3 horas) e evitando os extremos. Se estivermos a usar sinais stereo, ou seja, sinais vindos de aparelhos que produzem os canais esquerdo e direito, então para mantermos a sua imagem sonora, as panorâmicas têm de estar nos extremos – sinal esquerdo com panorâmica no extremo esquerdo, e sinal direito com panorâmica no extremo direito – a não colocação das panorâmicas nas posições indicadas apenas irá estragar a imagem stereo do canal, “apertando-a” e tornando-se quase mono.

Na utilização dos faders (volumes) é aconselhável que inicialmente não use o extremo superior (a zona acima dos  0 dB). A razão por detrás disso nada tem a ver com questões técnicas ou acústicas, mas sim com questões práticas. Ao não usar essa zona, deixa margem de manobra caso precise dela mais tarde. Imagine que tem uma mistura mais ou menos pronta. A dada altura, descobre que precisa ainda de mais um pouco de som num canal e já tem o fader no máximo. A única possibilidade é diminuir o volume dos outros 30 canais, o que é no mínimo aborrecido. Caso tivesse deixado margem de manobra, não haveria problema nenhum.

Quando se utilizam sinais stereo colocados em dois canais mono da mesa, convém ter algum cuidado de forma a que o volume seja igual em ambos os canais. Em determinadas situações, basta que o fader de um canal esteja 2 milímetros acima da posição do fader vizinho para que a imagem stereo seja alterada, uma vez que passa a existir um lado mais fraco do que o outro. Um último conselho sobre mesas de mistura: seja criativo. As mesas são extremamente flexíveis e essa flexibilidade é muito pouco usada. Desde que saiba o que está a fazer, não há inconvenientes em alterar de forma radical a sua utilização.

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